A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, conhecida mundialmente pela obra “Persépolis”, morreu aos 56 anos em Paris.
A informação foi confirmada por familiares à agência AFP nesta quinta-feira, 4 de junho de 2026.
Segundo o comunicado divulgado pela família, a artista teria morrido após um período de profunda tristeza, pouco mais de um ano depois da morte de seu marido, o produtor e diretor sueco Mattias Ripa, que faleceu em abril de 2025.
Marjane Satrapi nasceu em 1969, na cidade de Rasht, no Irã, e ganhou notoriedade internacional com “Persépolis”, graphic novel autobiográfica publicada a partir de 2000.
A obra retrata sua infância e juventude durante a Revolução Islâmica iraniana e expõe as consequências sociais e políticas do regime instaurado após 1979.
Com traços em preto e branco e uma narrativa direta, a autora conseguiu transformar sua história pessoal em um relato universal sobre liberdade, identidade e exílio.
O sucesso do livro levou à adaptação cinematográfica lançada em 2007, dirigida pela própria Satrapi em parceria com Vincent Paronnaud. O filme recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor animação.
Radicada na França desde 1994, Satrapi tornou-se cidadã francesa em 2006. Ao longo de sua carreira, manteve uma postura crítica em relação ao regime iraniano e se destacou como uma voz ativa na defesa da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres.
Nos últimos anos, a artista também se envolveu em debates políticos e apoiou movimentos ligados à igualdade e aos direitos civis, ampliando sua atuação para além do universo artístico.
Sua produção ajudou a abrir espaço para histórias pessoais vindas de contextos políticos complexos e a aproximar diferentes culturas por meio da arte.
A morte de Satrapi gerou repercussão internacional. Autoridades e representantes do mundo cultural prestaram homenagens à artista, destacando sua importância para a cultura contemporânea e o impacto de sua obra, considerada um marco da literatura gráfica.
Marjane Satrapi deixa um legado reconhecido globalmente. Seu trabalho continua sendo referência na forma de contar histórias autobiográficas e políticas, contribuindo para a compreensão de temas como exílio, identidade e liberdade.
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