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Mercúrio pode ter encolhido drasticamente, ‘como um balão deixado no frio’

Mercúrio pode ser ainda menor do que os cientistas imaginavam. Um novo estudo indica que o planeta sofreu uma contração maior do que as estimativas anteriores apontavam.

A pesquisa sugere que o diâmetro de Mercúrio pode ter diminuído entre 10% e 30% mais do que se estimava. No cenário máximo analisado, a redução chegaria a 23 quilômetros ao longo de seus cerca de 4,5 bilhões de anos de história.

O planeta está encolhendo por causa do resfriamento

A contração de Mercúrio não é uma novidade. Os cientistas já sabem há décadas que o interior do planeta vem perdendo calor.

Conforme essa parte interna esfria, seu volume diminui. A crosta precisa acompanhar essa mudança e acaba sendo comprimida. O processo criou grandes falhas, escarpas e outras estruturas que podem ser observadas na superfície.

Essas formações são algumas das principais pistas usadas para estimar quanto Mercúrio já diminuiu desde sua formação.

Impactos esconderam parte das evidências

O novo estudo encontrou uma possível explicação para a diferença entre as estimativas antigas e as mais recentes.

A superfície de Mercúrio foi atingida por asteroides e outros corpos durante bilhões de anos. Os impactos abriram crateras e espalharam material pela superfície, especialmente nas regiões mais acidentadas.

Segundo os pesquisadores, esse material pode ter escondido algumas das estruturas produzidas pela contração do planeta. Ao comparar mapas geológicos com dados sobre a rugosidade da superfície, a equipe percebeu que as áreas mais ásperas apresentavam menos marcas de compressão.

O que isso revela sobre o interior de Mercúrio

Descobrir quanto Mercúrio encolheu não serve apenas para medir seu tamanho no passado. A informação também ajuda a entender sua estrutura interna.

Uma contração maior pode indicar diferentes características do planeta, como um núcleo metálico maior, uma quantidade menor de elementos leves misturados ao metal ou uma temperatura inicial mais elevada.

Mercúrio já chama atenção por possuir um núcleo metálico proporcionalmente muito grande. Por isso, entender sua evolução térmica é importante para reconstruir a história do planeta.

BepiColombo pode revelar ainda mais detalhes

O resultado atual foi obtido principalmente com dados da missão MESSENGER, que estudou Mercúrio entre 2011 e 2015. A sonda conseguiu mapear uma enorme quantidade de estruturas da superfície, mas havia limitações na identificação das menores formações.

A próxima geração de observações poderá mudar esse cenário. A missão BepiColombo deverá começar a realizar estudos mais detalhados de Mercúrio em novembro de 2026, com instrumentos capazes de obter dados mais precisos sobre a topografia do planeta.

Isso significa que a estimativa atual ainda pode mudar. Novas observações poderão confirmar o quanto Mercúrio realmente encolheu e ajudar a explicar melhor como seu interior evoluiu ao longo de bilhões de anos.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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