A Meta decidiu encerrar contratos com trabalhadores terceirizados que analisavam conteúdos extremamente sensíveis capturados pelos óculos inteligentes Ray-Ban, mas a medida levantou ainda mais críticas do que soluções. Em vez de corrigir o problema na origem, a empresa optou por cortar vínculos com a companhia responsável pelos funcionários, deixando mais de mil pessoas sem emprego.
A polêmica veio à tona após uma investigação conjunta de jornais suecos revelar que trabalhadores no Quênia eram obrigados a revisar vídeos pessoais gravados pelos usuários dos óculos. Entre os materiais analisados estavam cenas de pessoas no banheiro, trocando de roupa e até em momentos íntimos, incluindo relações sexuais. O trabalho fazia parte do processo de treinamento de sistemas de inteligência artificial, no qual esses profissionais atuavam como anotadores de dados, classificando e identificando elementos nos vídeos para melhorar o desempenho da tecnologia.
Esse tipo de função já é conhecido por ser repetitivo e exigir atenção constante, mas o conteúdo ao qual esses trabalhadores eram expostos tornava a rotina ainda mais pesada. A análise revelou que eles lidavam frequentemente com imagens invasivas e desconfortáveis, sem que houvesse proteção adequada ou mecanismos eficazes para evitar esse tipo de material.
Diante da repercussão, a Meta não anunciou mudanças significativas no funcionamento do produto nem melhorias nos protocolos de segurança. Em vez disso, responsabilizou a empresa terceirizada e encerrou o contrato. Como consequência direta, mais de mil funcionários perderam seus empregos com apenas seis dias de aviso prévio.
Em comunicado, a empresa afirmou que fotos e vídeos são privados para os usuários e que a revisão humana acontece com consentimento, com o objetivo de aprimorar os sistemas. Também declarou que a parceira não atendia aos seus padrões. No entanto, a justificativa gerou questionamentos, especialmente porque o problema central não foi resolvido e só ganhou visibilidade após denúncias dos próprios trabalhadores.
Agora, organizações que defendem direitos trabalhistas no setor tecnológico africano acompanham o caso e ajudam os demitidos a buscar alternativas legais. Ainda assim, para quem perdeu a renda de forma repentina, isso está longe de ser uma solução imediata. O episódio reacende o debate sobre os bastidores da inteligência artificial e o custo humano por trás de tecnologias que chegam ao consumidor como inovação.
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