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Nova tela háptica usa luz para criar texturas reais e permitir que você sinta gráficos em 3D

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Barbara estão trabalhando em uma tecnologia que promete mudar a forma como interagimos com imagens digitais. A ideia é simples de explicar e impressionante de ver em ação: uma tela háptica capaz não só de exibir gráficos, mas também de permitir que o usuário sinta fisicamente o que está vendo ao passar os dedos pela superfície. O projeto transforma displays planos em interfaces táteis tridimensionais usando apenas luz.

A base dessa inovação está nos chamados optotactile pixels, ou OptoPixels. Cada pixel da tela funciona de maneira independente e mede cerca de um milímetro. Dentro dele existe uma pequena bolsa de ar coberta por uma camada fina de grafite.

Quando um feixe de laser atinge esse ponto específico, o calor faz o ar se expandir, empurrando a superfície da tela para cima e criando um pequeno relevo perceptível ao toque, com aproximadamente um milímetro de altura.

O mais curioso é que não há fiação escondida ou componentes eletrônicos tradicionais sob a tela. O mesmo laser que desenha a imagem também é responsável por gerar as saliências táteis.

Ele varre a superfície em alta velocidade, rápido o suficiente para acompanhar movimentos e mudanças visuais. A resposta acontece em um intervalo que varia de 2 a 100 milissegundos, o que cria a sensação de formas vivas e em movimento, e não apenas de pontos estáticos.

Em testes, voluntários conseguiram identificar facilmente cada relevo usando apenas a ponta dos dedos, além de perceber linhas e formas se movendo. O grupo já chegou a construir um protótipo funcional com cerca de 1.500 pixels programáveis.

O avanço é liderado por Max Linnander, doutorando em engenharia mecânica, em parceria com o professor Yon Visell. A ideia de usar luz para criar interfaces táteis surgiu ainda em 2021, mas o desenvolvimento foi gradual.

O ponto de virada aconteceu no fim de 2022, quando Linnander conseguiu fazer um único pixel responder com sucesso usando um laser simples e um dedo sobre a superfície. A partir daí, Visell percebeu claramente os pulsos táteis gerados pelo ligar e desligar do laser, confirmando que o conceito tinha um enorme potencial.

Se essa tecnologia avançar como esperado, ela pode abrir caminho para aplicações bastante variadas. Painéis de carros poderiam criar botões temporários que surgem apenas quando necessários. Leitores digitais poderiam simular a sensação física de virar páginas. Mapas interativos poderiam mudar de relevo conforme o usuário se movimenta.

Há também possibilidades promissoras em casas e hospitais, com paredes que se transformam em superfícies interativas ao toque. Ainda em fase experimental, essa tela háptica aponta para um futuro em que ver e sentir informações digitais pode se tornar parte da mesma experiência.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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