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Novo dinossauro encontrado no Maranhão revela ligação entre Brasil, África e Europa

Uma nova descoberta feita no Brasil colocou o Maranhão em destaque no cenário da paleontologia mundial. Batizado de Dasosaurus tocantinensis (homenagem ao rio Tocantins), o dinossauro viveu há aproximadamente 120 milhões de anos, durante o Cretáceo Inferior, e ajuda a esclarecer antigas conexões entre a América do Sul, a África e a Europa em um período em que os continentes ainda passavam por transformações profundas.

Os fósseis permitiram aos pesquisadores identificar uma espécie até então desconhecida pela ciência. O animal foi classificado como um somfospôndilo não titanossauro, grupo de saurópodes herbívoros de pescoço longo que viveu antes do surgimento dos titanossauros mais derivados. A descoberta reforça a relevância do Norte do Brasil nos estudos sobre a fauna que habitava o antigo supercontinente Gondwana, formado por regiões que hoje correspondem à América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia.

Gondwana foi um supercontinente que existiu ao sul da linha do Equador, por volta de 200 milhões de anos atrás, durante o Período Triássico, que incluía a junção de terras dos atuais continentes da AntártidaAmérica do Sul, África, Índia, AustráliaNova ZelândiaMadagascar, Nova Guiné, Nova Caledônia, além das Ilhas Seicheles.

A nova espécie chamou atenção por apresentar características anatômicas bastante específicas, que a diferenciam de outros dinossauros já descritos. Entre os traços mais marcantes estão três cristas alongadas nas vértebras da cauda, um sulco localizado acima da crista ventral e uma protuberância lateral bem desenvolvida no fêmur. Esses detalhes foram fundamentais para confirmar que se tratava de um novo táxon científico.

Os cientistas também observaram que o Dasosaurus tocantinensis possui forte proximidade evolutiva com o Garumbatitan morellensis, uma espécie descoberta na Espanha e datada de um período geológico semelhante. Essa relação sugere que ambos compartilharam um ancestral comum, o que fortalece a hipótese de contatos biogeográficos entre diferentes regiões do planeta naquela época.

A análise microscópica dos ossos trouxe ainda mais informações sobre a posição do dinossauro na árvore evolutiva. O estudo revelou uma combinação de características consideradas primitivas e avançadas, além de sinais de maturidade esquelética e intensa remodelação óssea. Esse conjunto faz da espécie uma peça importante para entender a transição entre os primeiros neossaurópodes e os titanossauros mais especializados que surgiriam depois.

Outro ponto que torna a descoberta especialmente relevante é a reconstrução das rotas de dispersão desses animais entre os continentes. Modelos biogeográficos indicam que a linhagem do dinossauro brasileiro pode ter surgido na Europa e migrado para a América do Sul pelo norte da África, entre os períodos Valanginiano e Aptiano. Na prática, isso reforça a ideia de que, mesmo em meio à separação continental, ainda existiam caminhos que permitiam a circulação de espécies entre diferentes partes do antigo Gondwana.

Além de ampliar a diversidade conhecida de saurópodes no Cretáceo Inferior do norte da América do Sul, o estudo mostra como o Brasil continua revelando fósseis capazes de mudar o que a ciência sabe sobre a evolução dos dinossauros. A pesquisa contou com apoio de equipes de campo, instituições acadêmicas e financiamento de agências brasileiras, consolidando mais uma contribuição importante da paleontologia nacional para a compreensão do passado da Terra.

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Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

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