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Pop Mart processa plataforma de impressão 3D por cópias caseiras do boneco Labubu

O carismático Labubu, personagem que virou febre entre colecionadores nos últimos anos, agora está no centro de uma disputa judicial. A Pop Mart entrou com um processo por direitos autorais contra a Bambu Lab, empresa chinesa de impressão 3D, alegando que modelos digitais disponíveis online permitiram a criação de réplicas não autorizadas do boneco em casa.

A ação foi protocolada na China e tem como alvo a plataforma MakerWorld, mantida pela Bambu Lab. O site funciona como uma comunidade onde usuários compartilham arquivos para impressão 3D. Segundo a Pop Mart, esses arquivos reproduziam o visual do Labubu com alto nível de fidelidade, o que permitiria aos fãs imprimir versões praticamente idênticas às oficiais sem passar pelo mercado tradicional.

O foco do processo não são os usuários domésticos, mas a circulação dos arquivos digitais. A Pop Mart afirma que a plataforma facilitou a distribuição dos modelos e não teria agido de forma adequada para removê-los após notificações. Para a empresa, isso alimenta um mercado paralelo de cópias que ameaça licenças, vendas e relações com varejistas.

O caso expõe um dilema cada vez mais comum. Plataformas de compartilhamento de modelos cresceram rapidamente, enquanto impressoras 3D se tornaram mais acessíveis. Hoje, um arquivo pode se transformar em um objeto físico em poucas horas, levantando dúvidas sobre até onde vai a responsabilidade de quem hospeda esse tipo de conteúdo.

Criado pelo ilustrador Kasing Lung, Labubu é um dos maiores sucessos da Pop Mart. O personagem ganhou fama por meio do modelo de vendas em blind box, no qual o comprador só descobre qual versão adquiriu ao abrir a embalagem. Desde 2019, o boneco apareceu em diversas coleções e edições limitadas, muitas delas altamente disputadas por colecionadores.

De acordo com a ação, os arquivos do Labubu circularam amplamente no MakerWorld, plataforma lançada em 2023 que reúne milhões de modelos enviados por usuários. Alguns desses arquivos teriam sido baixados milhares de vezes, permitindo a produção de figuras a um custo muito inferior ao do produto original.

A Pop Mart vem intensificando a proteção de sua propriedade intelectual. Em 2025, autoridades chinesas apreenderam mais de 1,8 milhão de produtos falsificados relacionados ao Labubu, mostrando a escala do problema. Com a popularização da impressão 3D, a empresa agora enfrenta um novo tipo de desafio, no qual a cópia começa em um arquivo digital.

Após a divulgação do processo, a Bambu Lab removeu modelos ligados à Pop Mart do MakerWorld, embora relatos indiquem que a remoção afetou também arquivos não relacionados. O julgamento está previsto para o início de abril e pode estabelecer um precedente importante sobre a responsabilidade de plataformas que hospedam designs imprimíveis.

O desfecho do caso deve ser acompanhado de perto por toda a indústria. À medida que a linha entre fã, criador e fabricante se torna mais tênue, disputas como essa ajudam a definir como direitos autorais serão aplicados em um mundo onde qualquer pessoa pode fabricar um produto em casa.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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