Grande parte da internet que utilizamos diariamente depende de uma infraestrutura que poucas pessoas conhecem. No fundo dos oceanos, milhares de quilômetros de cabos de fibra óptica transportam dados entre continentes, permitindo chamadas de vídeo, serviços de streaming, transações bancárias e acesso a plataformas digitais.
Uma das empresas responsáveis por construir essa rede é a SubCom, fabricante norte americana que projeta, produz e instala cabos submarinos. Sua fábrica fica em Newington, no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos, em um complexo industrial com aproximadamente 20 hectares e acesso a um píer de águas profundas.
A instalação produz cerca de 58 mil quilômetros de cabos por ano. Um plano de expansão divulgado em janeiro de 2026 prevê elevar essa capacidade para aproximadamente 77 mil quilômetros anuais até o fim do ano, com uma meta de longo prazo de 100 mil quilômetros.
Como são fabricados os cabos que atravessam os oceanos?
A fabricação começa com fibras ópticas extremamente finas, feitas de vidro. É por elas que os dados são transmitidos na forma de pulsos de luz.
As fibras precisam ser protegidas para suportar as condições encontradas no fundo do mar. Dependendo da região por onde o cabo passa, sua estrutura pode incluir camadas de aço de alta resistência, barreiras contra a entrada de água e outros materiais de proteção.
Essas camadas são importantes porque os cabos enfrentam pressões elevadas, contato com o ambiente marinho e possíveis danos provocados por atividades humanas.
A construção também varia conforme o local da instalação. Em águas profundas, os cabos podem ter uma estrutura relativamente fina. Perto da costa, onde existe maior risco de contato com âncoras e equipamentos de pesca, a proteção costuma ser reforçada.
Depois da fabricação, os sistemas passam por testes antes de serem enviados para instalação. Grandes navios especializados transportam os cabos e os posicionam cuidadosamente no leito oceânico, seguindo rotas previamente planejadas.
Cabos submarinos transportam mais de 99% dos dados internacionais
Embora satélites também participem das telecomunicações, os cabos submarinos continuam sendo essenciais para conectar países e continentes.
Segundo a União Internacional de Telecomunicações, mais de 99% do tráfego internacional de dados passa por esses sistemas. A rede é fundamental para serviços financeiros, computação em nuvem, comunicações governamentais e inúmeras atividades cotidianas.
A vantagem está na capacidade de transportar grandes volumes de informação com baixa latência. Isso permite que os dados percorram distâncias enormes com eficiência, sem depender exclusivamente de conexões via satélite.
A infraestrutura também precisa acompanhar o crescimento da demanda. O avanço da inteligência artificial, dos serviços digitais e dos centros de processamento de dados aumenta a necessidade de conexões internacionais com maior capacidade.
Por isso, grandes empresas de tecnologia e telecomunicações investem na construção de novos sistemas e na ampliação de redes existentes.

Como os dados chegam ao outro lado do oceano?
O princípio de funcionamento é relativamente simples. Os equipamentos nas estações terrestres transformam informações digitais em sinais ópticos, que percorrem as fibras na forma de luz.
Entretanto, a intensidade desse sinal diminui ao longo de distâncias muito grandes. Para compensar essa perda, os sistemas utilizam repetidores ópticos instalados em intervalos ao longo do cabo.
Esses equipamentos reforçam os sinais para que os dados continuem viajando por milhares de quilômetros.
A estrutura inteira precisa funcionar como um sistema integrado. Além do cabo propriamente dito, há equipamentos nas estações terrestres, sistemas de alimentação elétrica, componentes ópticos e ferramentas de monitoramento.
A SubCom informa que já instalou mais de 9.100 repetidores ópticos e participou da implantação de mais de 200 sistemas submarinos.
Em maio de 2025, a empresa anunciou outro marco importante: havia ultrapassado um milhão de quilômetros de cabos submarinos implantados ao longo de sua história. Segundo a companhia, essa extensão seria suficiente para dar mais de 25 voltas ao redor da Terra.
Instalar cabos no fundo do mar exige planejamento
A construção de um cabo submarino não depende apenas da capacidade industrial. Também é necessário estudar as condições do fundo oceânico, definir os pontos de chegada em terra e obter as autorizações dos países envolvidos.
Os navios responsáveis pela instalação precisam controlar cuidadosamente a liberação do cabo durante o percurso. O planejamento considera a profundidade, as características do terreno e os riscos existentes ao longo da rota.
A operação pode levar anos entre o planejamento inicial e a entrada em funcionamento do sistema. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, um projeto desse tipo pode precisar de mais de dois anos para se tornar operacional.
Depois da instalação, o trabalho continua. Os cabos precisam ser monitorados e, quando ocorrem falhas, equipes especializadas podem ser mobilizadas para localizar e reparar os trechos danificados.

Âncoras e atividades de pesca estão entre os principais riscos
Apesar de serem construídos para durar, os cabos submarinos estão sujeitos a diferentes ameaças.
Entre as causas mais comuns de danos estão atividades humanas, como pesca com equipamentos que alcançam o fundo do mar e embarcações que arrastam suas âncoras. Deslizamentos submarinos e terremotos também podem afetar determinadas rotas.
Os tubarões, frequentemente associados a histórias sobre cabos danificados, não representam o principal problema enfrentado pelos operadores.
De acordo com a União Internacional de Telecomunicações, mais de 200 falhas em cabos submarinos foram registradas mundialmente em 2023. Isso equivale a mais de três ocorrências por semana, em média.
Quando um cabo importante é danificado, as operadoras precisam redirecionar o tráfego para outras conexões, quando há capacidade disponível. O reparo depende da localização da falha, das condições do mar e da disponibilidade de navios especializados.
É por isso que a existência de rotas alternativas é tão importante. Uma rede com conexões redundantes consegue manter parte dos serviços funcionando mesmo quando um de seus componentes apresenta problemas.

Uma fábrica essencial para a infraestrutura digital
A SubCom representa uma parte pouco visível da indústria que mantém a internet funcionando. A companhia projeta, fabrica, instala e dá suporte a sistemas que conectam diferentes regiões do planeta.
Sua história no setor de telecomunicações remonta a 1955. Desde então, a evolução das fibras ópticas transformou a capacidade dos cabos submarinos e permitiu transportar volumes de dados muito superiores aos das antigas conexões telefônicas.
Agora, a expansão da produção busca acompanhar a demanda crescente por conectividade internacional.
O funcionamento da internet depende de muitos elementos, desde centros de dados e roteadores até redes terrestres e satélites. Ainda assim, os cabos instalados sob os oceanos continuam sendo uma das peças mais importantes dessa infraestrutura.
Sem eles, boa parte das comunicações internacionais seria mais cara, lenta e difícil de manter na escala exigida pelo mundo conectado.
Fontes:
Comunicado oficial sobre o marco de um milhão de quilômetros
Resiliência dos cabos submarinos