Aggelos 2 é uma sequência que amplia a aventura iniciada em 2018 sem abandonar a inspiração nos clássicos jogos de ação e plataforma em 2D. Desenvolvido por François Perez, conhecido como Wonderboy Bobi, e publicado pela PQube e PixelHeart, o título metroidvania coloca novamente o anjo Aggelos diante de uma ameaça capaz de destruir os reinos da luz e das trevas.
No jogo, os deuses da luz estão prestes a perder a batalha contra o exército das trevas, e o protagonista precisa atravessar o reino de Lúmen para impedir que o caos se espalhe. Para sobreviver, porém, Aggelos terá de aceitar uma forma demoníaca e aprender a alternar entre suas naturezas angelical e sombria. Esse é o clássico exemplo de que a história funciona mais como uma justificativa para a exploração e os combates do que como o principal atrativo da experiência. Mesmo assim, não é necessário conhecer o jogo anterior para acompanhar a aventura, já que Aggelos 2 apresenta contexto suficiente sobre os acontecimentos.
Dois mundos, uma aventura
A principal novidade de Aggelos 2 está na estrutura formada por dois mapas vastos, sobrepostos e conectados por portais. O reino da luz apresenta ambientes coloridos e associados à ordem, enquanto o reino das trevas é mais hostil, com inimigos agressivos, armadilhas e caminhos alternativos.

Os mundos não são apenas versões visuais diferentes dos mesmos lugares. Cada um possui características próprias, inimigos, segredos e obstáculos. Uma passagem bloqueada em uma dimensão pode revelar uma rota quando o jogador atravessa o portal e retorna pelo reino oposto.
Essa estrutura combina muito bem com a proposta metroidvania. Conforme novas habilidades são desbloqueadas, áreas visitadas anteriormente passam a esconder atalhos, melhorias e colecionáveis. O jogo não indica o tempo todo qual deve ser o próximo destino, incentivando o jogador a observar os cenários, memorizar rotas e entender a relação entre as duas dimensões.
Luz e trevas no controle
A troca entre as formas de anjo e demônio é o centro da jogabilidade. Na forma angelical, Aggelos adota uma postura mais lenta e disciplinada, favorecendo ataques precisos e defesas cuidadosas. A forma demoníaca é mais rápida, agressiva e voltada para a ofensiva.

A transformação interfere nos ataques, na mobilidade e na maneira de lidar com os projéteis dos inimigos. Certos golpes exigem o uso da forma adequada, fazendo com que o jogador observe os padrões dos adversários e domine o momento correto para mudar de estado.
A mecânica funciona tanto nos combates quanto na exploração. A troca de forma ajuda a atravessar obstáculos, ativar mecanismos e acessar áreas que não estão disponíveis para os dois estados do personagem. Dessa maneira, a transformação não é apenas uma mudança estética, mas uma ferramenta essencial para avançar.

Aggelos 2 apresenta 13 chefes espalhados pelos dois reinos, sendo que muitos confrontos são marcantes e possuem múltiplas fases, mas nem todos aproveitam a ideia com o mesmo equilíbrio. Algumas batalhas colocam tantos projéteis na tela que a transformação e os ataques acabam exigindo mais resistência do que estratégia.
Explorar também é evoluir
A progressão está diretamente ligada à exploração. Durante a campanha, Aggelos desbloqueia habilidades como voo, corrida, agarrar-se às paredes e ataques especiais. Cada nova aquisição modifica áreas conhecidas e permite alcançar caminhos anteriormente inacessíveis.

O jogo também espalha orbes e outros itens pelos mapas. Essas recompensas aumentam a força do personagem, liberam ataques devastadores e melhoram sua capacidade de sobrevivência. Em vez de depender apenas de inimigos derrotados, a evolução valoriza a curiosidade e a disposição para investigar cada canto dos reinos.
Mesmo quando o jogador encontra um caminho bloqueado, normalmente existe algum item ou melhoria escondida por perto. A exploração não parece um desvio vazio, mas uma parte importante da progressão.

A campanha principal não é extremamente longa, mas os dois mundos, os chefes, os segredos e as rotas alternativas dão mais densidade à aventura. Quem quiser encontrar todos os itens terá motivos para permanecer por muito mais tempo.
Uma obra em 16 bits
Aggelos 2 apresenta uma evolução visual muito perceptível em relação ao primeiro jogo. A pixel art tem sprites mais detalhados, maior variedade de cores e cenários mais elaborados. Os personagens e inimigos se destacam bem no ambiente, algo importante em uma experiência que exige respostas rápidas.

Os dois reinos também possuem identidades visuais próprias. O mundo da luz é mais vibrante e organizado, enquanto o reino das trevas transmite perigo por meio de cores fechadas e inimigos agressivos. Mesmo inspirado nos clássicos, o jogo consegue construir uma identidade além da nostalgia.
A direção de arte combina com a jogabilidade veloz. As animações são claras, os ataques possuem boa leitura visual e os efeitos ajudam a indicar quando uma transformação ou habilidade pode ser utilizada. Em alguns confrontos, a quantidade de elementos na tela prejudica essa clareza, mas o resultado geral é consistente.

A trilha sonora segue a proposta retrô, acompanha bem cada região e reforça a diferença entre os reinos. Algumas faixas são marcantes e ficam na memória depois de algumas horas de jogo. Os efeitos sonoros também cumprem sua função ao destacar ataques, impactos e interações com o cenário.
Por fim, Aggelos 2 é uma sequência competente, ambiciosa e capaz de ampliar a fórmula do primeiro jogo. A exploração por dois mundos sobrepostos é sua melhor novidade, enquanto a alternância entre as formas de anjo e demônio adiciona variedade aos combates e enigmas. A progressão baseada em habilidades funciona muito bem, a exploração oferece recompensas constantes e a pixel art entrega uma apresentação charmosa e detalhada, deixando claro que a nostalgia não precisa significar repetir tudo exatamente como era.
##
Nota final: 4/5
Acesse o site oficial do jogo.
Veja mais reviews de games.