A Sony Pictures Entertainment não desistiu do seu universo live-action ligado ao Homem-Aranha. Depois de uma sequência de resultados irregulares nas bilheterias e críticas pouco animadoras, o estúdio agora planeja reiniciar a franquia do zero, com um novo elenco e uma abordagem totalmente reformulada.
Por um breve período, pareceu que a estratégia de construir filmes derivados sem a presença direta do herói poderia funcionar. O primeiro longa de Venom surpreendeu ao ultrapassar a marca de 850 milhões de dólares em bilheteria mundial, provando que havia espaço para histórias focadas em personagens secundários do universo do Homem-Aranha. As continuações também apresentaram desempenho comercial sólido, consolidando o simbionte como um nome forte o suficiente para sustentar uma trilogia.
O problema surgiu com os outros títulos que tentaram repetir a fórmula. Morbius, Madame Web e Kraven the Hunter não conseguiram empolgar o público nem a crítica. As arrecadações ficaram abaixo do esperado e a recepção negativa acabou minando a confiança no projeto maior de um universo compartilhado sem o próprio Homem-Aranha como figura central.

Em participação recente no podcast The Town, o presidente e CEO da Sony, Tom Rothman, confirmou que o chamado “Spider-Verse humano” não está morto. Questionado se o estúdio pretende revisitar esse universo e se a ideia envolve um reboot completo, ele respondeu afirmativamente. Quando perguntado se isso significa trabalhar com novas pessoas diante e atrás das câmeras, a resposta também foi sim. Na prática, trata-se de uma reformulação total.
A decisão não chega a ser surpreendente. O Homem-Aranha continua sendo uma das propriedades intelectuais mais valiosas da cultura pop, e dificilmente a Sony abriria mão de explorar esse potencial no cinema. No entanto, a experiência recente deixou uma lição clara: nem todos os personagens coadjuvantes conseguem sustentar produções de grande orçamento sozinhos.
Venom já era popular o bastante para atrair multidões mesmo sem o Amigão da Vizinhança em cena. Já figuras como Morbius, Madame Web e Kraven não têm o mesmo peso junto ao grande público. Faltou um elemento agregador que conectasse essas narrativas de forma convincente.
Se o novo plano realmente quiser dar certo, talvez seja inevitável trazer de volta uma versão do próprio Homem-Aranha para o centro da história. E isso não significa necessariamente repetir Peter Parker. Uma adaptação live-action de Miles Morales ou até de Gwen Stacy poderia servir como eixo narrativo capaz de unificar o universo e dar identidade à franquia.
Resta saber quando a Sony vai anunciar oficialmente os primeiros passos dessa nova fase e qual será a estratégia para reconquistar o público. Uma coisa é certa: o estúdio não pretende deixar suas teias acumularem poeira tão cedo.
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