O avanço da tecnologia não transformou apenas empresas e governos. No México, grupos do crime organizado também passaram a incorporar ferramentas digitais e equipamentos de ponta em suas operações, e um dos exemplos mais notórios é o (Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG). Considerado um dos cartéis mais poderosos e violentos do país, o grupo ampliou sua influência ao adotar drones, sistemas de comunicação criptografados, estratégias digitais e campanhas nas redes sociais para intimidar rivais, recrutar novos membros e projetar poder.
A organização ganhou força sob a liderança de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”. Apesar de rumores recorrentes sobre sua morte ou captura, autoridades mexicanas e dos Estados Unidos continuam tratando o líder como foragido e ativo. O cartel, no entanto, construiu uma estrutura descentralizada que garante sua continuidade independentemente do destino de seus chefes, permitindo que suas operações se mantenham em expansão.
Nos últimos anos, o CJNG chamou atenção internacional pelo uso sistemático de drones modificados para fins ofensivos. Esses equipamentos são adaptados para lançar explosivos improvisados ou granadas contra forças de segurança e grupos rivais, especialmente em regiões disputadas. O uso desses dispositivos representa uma evolução tática significativa, pois permite ataques remotos, maior alcance e menor exposição direta dos integrantes.

Além da guerra aérea improvisada, o grupo também investe em comunicação segura e inteligência digital. Criptografia, rádios avançados e aplicativos protegidos ajudam a evitar interceptações policiais. Há ainda relatos de uso de softwares para vigilância, rastreamento e coordenação logística, facilitando rotas de transporte e monitoramento de operações.
O campo digital também se tornou uma ferramenta estratégica de propaganda. Vídeos de demonstração de poder militar, comboios armados e mensagens de intimidação circulam amplamente em plataformas como TikTok, Facebook e Telegram. Essas publicações servem tanto para intimidar adversários quanto para construir uma imagem de poder e atrair jovens em regiões vulneráveis. Especialistas em segurança apontam que a estética militarizada e o discurso de pertencimento funcionam como mecanismos de recrutamento e legitimação simbólica.

O CJNG surgiu no estado de Jalisco e rapidamente expandiu sua presença para grande parte do território mexicano e rotas internacionais de tráfico. O grupo diversificou suas atividades, atuando também em extorsão, sequestro, roubo de combustíveis e mineração ilegal, o que fortalece suas fontes de financiamento.
Autoridades mexicanas e agências internacionais alertam que a combinação entre crime organizado e tecnologia representa um desafio crescente para a segurança pública. O uso de drones armados, comunicação criptografada e estratégias digitais mostra que essas organizações acompanham e às vezes antecipam, tendências tecnológicas globais.
O caso do CJNG evidencia como a transformação digital pode ser apropriada por estruturas criminosas para ampliar alcance e eficiência. Em um cenário em que tecnologia e crime se entrelaçam, o combate a essas redes exige não apenas operações policiais tradicionais, mas também inteligência cibernética, cooperação internacional e políticas sociais capazes de reduzir o recrutamento em comunidades vulneráveis.