Um dos jogos mais importantes da história agora cabe no pulso. O desenvolvedor Toby, conhecido na internet como Game of Tobi, conseguiu rodar The Legend of Zelda: Ocarina of Time no Apple Watch, transformando o relógio da Apple em uma improvável plataforma para um clássico do Nintendo 64 lançado nos anos 90.
O feito chama atenção não só pelo fator nostalgia, mas também pelo nível técnico. O jogo, famoso pelo mundo aberto de Hyrule, quebra-cabeças complexos e batalhas em 3D, roda de forma surpreendentemente fluida em uma tela minúscula. Link caminha pelos cenários, luta com espada, abre menus e interage com o ambiente sem grandes engasgos, algo que poucos imaginariam possível em um smartwatch.
Para isso, Toby usou como base o projeto Ship of Harkinian, também conhecido como Shipwright. Diferente da emulação tradicional, essa iniciativa de código aberto recompila o jogo a partir da decompilação oficial, permitindo que ele rode de forma nativa em sistemas modernos. No Apple Watch, o código foi adaptado para o watchOS, aproveitando ferramentas gráficas como o SceneKit para renderizar o mundo 3D.
A experiência visual pode ser ajustada. O jogador escolhe entre preencher toda a tela do relógio ou manter a proporção original do jogo. Ambos os modos funcionam bem, dentro das limitações óbvias do tamanho do display. O desempenho, segundo testes iniciais, se mantém estável durante a exploração e os combates.

O maior desafio está nos controles. Como o Apple Watch depende basicamente da tela sensível ao toque e da coroa digital, o desenvolvedor criou botões virtuais sobrepostos à imagem. No começo, os dedos acabam cobrindo parte da ação, mas com um pouco de prática o controle se torna mais natural. Também é possível conectar um controle Bluetooth, embora jogar com duas mãos em um relógio não seja exatamente confortável.
Ainda existem pequenos problemas, principalmente na renderização de textos, que pode dificultar a leitura de diálogos e placas. Toby já indicou que está trabalhando nesses ajustes antes de liberar o projeto de forma mais ampla. Essa não é a primeira experiência dele nesse tipo de desafio. Antes de Ocarina of Time, o desenvolvedor já havia conseguido portar Super Mario 64 para o Apple Watch, o que ajudou a evitar erros mais graves desta vez.

Mais do que uma curiosidade, o projeto mostra até onde dispositivos vestíveis podem chegar. O Apple Watch, pensado para saúde e notificações, prova que também pode servir como vitrine para a história dos videogames. Para fãs de Zelda e entusiastas de tecnologia, ver Ocarina of Time rodando no pulso é a mistura perfeita de nostalgia e engenharia criativa.
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