Cosplayers costumam ser vistos em convenções, eventos geek e festivais de cultura pop. Mas o fotógrafo Thurstan Redding decidiu mudar completamente esse cenário. Vindo do universo da fotografia de moda, ele passou a registrar pessoas fantasiadas como personagens famosos em ambientes comuns do dia a dia, criando imagens que parecem saídas de editoriais de revista.
A ideia nasceu depois de encontros casuais com cosplayers em lugares inesperados. Primeiro em Los Angeles, depois em um trem em Londres. Até então, Redding conhecia o cosplay apenas de forma distante. A curiosidade virou interesse e, mais tarde, um projeto de longo prazo que consumiu três anos de trabalho intenso.

O resultado é Kids of Cosplay, um livro que olha para o hobby sob uma perspectiva diferente. Em vez de palcos e centros de convenções, os personagens aparecem em cozinhas, ruas vazias, bairros residenciais e paisagens banais. Harley Quinn surge em uma cena doméstica. Um grupo de C-3POs posa à beira da estrada, cercado por um campo vazio. O contraste chama atenção de imediato.
Essa escolha de cenário não é aleatória. Colocar fantasias elaboradas em contextos comuns cria um estranhamento visual que prende o olhar. Ao mesmo tempo, valoriza o trabalho manual e o cuidado extremo que os cosplayers dedicam às roupas. Para Redding, fazia sentido que o esforço colocado nos figurinos fosse acompanhado por uma composição igualmente pensada.
Com um olhar vindo da moda, o fotógrafo se impressionou com o nível de detalhe encontrado fora da indústria fashion. Diferente de roupas descartáveis, muitos trajes de cosplay são ajustados, melhorados e refeitos ao longo dos anos. Cada peça carrega tempo, dedicação e identidade pessoal, algo que dialoga diretamente com o conceito de estilo autoral.
Kids of Cosplay também tem um lado quase sociológico. Redding não queria apenas imagens bonitas. O objetivo era documentar uma comunidade e refletir sobre o ato de se vestir como forma de expressão. Para ele, o cosplay resgata algo que costuma desaparecer com a idade adulta: o prazer de se fantasiar apenas por diversão e escapismo.

Quem folheia o livro costuma relatar uma sensação de melancolia. Ver personagens icônicos fora de seus mundos de origem, inseridos em cenários cotidianos, provoca reflexão. É um lembrete de como o brincar e o imaginar vão sendo deixados de lado com o tempo, mesmo que continuem sendo necessários.
A mensagem que atravessa o projeto é simples, mas poderosa. Nunca é tarde para se divertir. Nunca é tarde para se expressar. Os cosplayers, segundo Redding, ensinam exatamente isso ao mundo exterior.
Com o lançamento do livro, o fotógrafo volta a se dedicar a novos trabalhos e já iniciou pesquisas para um segundo projeto editorial. Se seguir o mesmo caminho, é bem possível que ele continue explorando culturas visuais pouco compreendidas, sempre com um olhar elegante, humano e fora do óbvio.







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