A Editora Intrínseca acaba de trazer ao Brasil mais um daqueles romances que parecem ter sido feitos sob medida para quem suspira por comédias românticas com aquele gostinho de “podia ser comigo”. “Nada é Por Acaso“, novo livro de Lynn Painter, a mesma autora por trás do sucesso “Melhor do que nos filmes”, aposta em uma premissa que mistura destino, acaso e aquela dose de constrangimento que só um encontro às cegas (ou quase) pode proporcionar.
A história gira em torno de Isabella Shay, ou Izzy, uma jovem que finalmente conseguiu o emprego dos sonhos, mas que logo no primeiro dia já está atrasada e desesperada por um café. Na fila da cafeteria, ela ouve a barista chamar “Amy” três vezes sem resposta e, em um momento de fraqueza absolutamente humano, decide pegar o pumpkin spice latte que não era exatamente seu. Afinal, era a bebida que ela tinha pedido e pago, só que em outra posição na fila.

O que Izzy não esperava é que, ao se virar com o latte na mão, esbarraria no cara mais atraente que já viu, derrubando o café todo na camisa e gravata impecáveis dele. A química entre os dois é instantânea, a conversa flui naturalmente, e tudo parece caminhar para um final de conto de fadas. Até que, na hora de se despedir, ele diz: “Então acho que nos vemos amanhã, Amy.”
O problema? No dia seguinte, quando Izzy chega ao escritório e conhece o vice-presidente que vai liderar seu departamento, ela descobre que o gatinho da cafeteria é nada menos que Blake Phillips, um homem que pode ter sido charmoso com Amy, mas que com Izzy é puro gelo, arrogância e mau humor. A explicação dela para a troca de nomes não cola, e o que começa como um mal-entendido constrangedor se transforma em uma dinâmica de trabalho tensa, com uma atração que cresce a cada dia e uma proibição corporativa que transforma qualquer aproximação em um risco profissional.

Se você é fã de comédias românticas que misturam aquele clima de “inimigos que se atraem” com situações do cotidiano que todo mundo já passou, ou pelo menos já imaginou passar, “Nada é Por Acaso” vai te conquistar logo nas primeiras páginas. A obra dialoga diretamente com leitores que curtem romances contemporâneos com protagonistas que erram, se constrangem e precisam lidar com as consequências de suas escolhas, tudo isso temperado com uma química que faz o leitor torcer pelo casal mesmo quando eles estão se estranhando.
A narrativa de Lynn Painter também vai agradar quem gosta de histórias que brincam com a ideia de destino e acaso, mas sem cair no clichê do “era tudo pra ser”. Aqui, o acaso é só o ponto de partida, pois o que constrói o romance é o trabalho diário, a convivência forçada e a descoberta de que, às vezes, a pessoa que você menos espera é justamente quem vai te fazer repensar tudo o que achava que sabia sobre amor e trabalho.

A autora norte-americana já consolidou um estilo próprio no gênero de comédia romântica para jovens e adultos, com obras que circulam entre o leve e o emocionalmente envolvente. Seus livros anteriores, como “Melhor do que nos filmes”, “Amor por engano” e “Mil vezes amor”, também publicados pela Intrínseca no Brasil, seguem uma linha parecida, com protagonistas bem construídos, situações que misturam humor e constrangimento, e aquele desenvolvimento de relacionamento que faz o leitor querer virar a página só para ver o que acontece a seguir.
Em “Nada é Por Acaso”, Painter mantém essa fórmula, mas com um toque a mais de tensão corporativa. A dinâmica entre Izzy e Blake não é só sobre atração física ou química instantânea; é sobre dois profissionais que precisam aprender a trabalhar juntos, a respeitar os limites um do outro e, ao mesmo tempo, lidar com uma atração que ameaça virar o ambiente de trabalho de cabeça para baixo. A narrativa alterna entre momentos de leveza, com diálogos afiados e situações engraçadas, e momentos de tensão emocional, com a protagonista precisando decidir entre o que sente e o que é profissionalmente correto.

“Nada é Por Acaso” é, no fim das contas, aquele tipo de livro que você lê num fim de semana e sai com a sensação de que, talvez, o universo realmente tenha um senso de humor peculiar e que, às vezes, um latte roubado pode ser o começo de algo muito maior do que você imaginava.