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Nova câmera consegue “fotografar” neutrinos e muda forma de detectar partículas invisíveis

Cientistas deram um passo importante para tornar visível o que, até hoje, parecia impossível. Um novo protótipo de câmera conseguiu registrar em três dimensões o caminho de neutrinos, partículas quase sem massa conhecidas como partículas fantasma.

O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da ETH Zurich e da EPFL, na Suíça, e promete simplificar bastante a detecção desse tipo de partícula, que atravessa praticamente tudo sem deixar rastro.

Por que neutrinos são tão difíceis de ver

Neutrinos estão por toda parte. Trilhões deles passam pelo corpo humano a cada segundo sem causar nenhum efeito perceptível.

O problema é que essas partículas interagem muito pouco com a matéria. Por isso, os métodos tradicionais exigem gigantescos detectores subterrâneos, cheios de sensores e materiais especiais, que custam caro e são difíceis de manter.

Como funciona a câmera PLATON

O novo sistema, batizado de PLATON, aposta em um conceito bem mais simples.

Ele usa um bloco sólido de material cintilador, que emite pequenos flashes de luz quando uma partícula passa por ele. Acoplada a esse bloco, há uma câmera especial com micro lentes capazes de detectar fótons individuais e registrar o tempo exato em que a luz aparece.

Quando um neutrino interage com o material, a câmera captura vários pontos de luz ao mesmo tempo. Um software cruza essas informações e reconstrói o trajeto da partícula em 3D.

Menos complexidade e mais precisão

Até agora, a maioria dos detectores precisava dividir o cintilador em milhares ou milhões de pequenos blocos ligados por fibras ópticas.

Com o PLATON, todo esse trabalho fica concentrado na câmera. Em testes de laboratório, o sistema conseguiu reconstruir trajetos de elétrons com ótima precisão. Simulações indicam uma resolução espacial de cerca de um quinto de milímetro.

Para os pesquisadores, o protótipo abre caminho para uma nova geração de detectores de partículas.

Além de reduzir custos e complexidade, a tecnologia pode ser ampliada para volumes maiores no futuro. A equipe também aponta possíveis aplicações fora da física de partículas, como sistemas avançados de imagem médica.

Ainda se trata de um modelo experimental. Mas o fato de “enxergar” partículas invisíveis com algo parecido com uma câmera já anima cientistas que buscam entender melhor os mistérios do universo.]

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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