70s-style Robot Anime Geppy-X é pura nostalgia em forma de jogo, e a remasterização acerta ao tratar o clássico como obra de arte, não como peça de museu.
Desenvolvido pela Implicit Conversions e publicado pela Bliss Brain, o título chegou como uma das homenagens mais sinceras aos super robôs dos anos 70 que já passaram por estas bandas.
Animê para você jogar
A grande sacada de Geppy-X é transformar a estrutura de um anime de robô gigante em jogo de tiro. Em vez de apenas assistir a uma história de invasão alienígena, o jogador assume o controle de três jovens pilotos que defendem a Terra contra o Império Demoníaco Espacial, pilotando o mecha Geppy-X em uma campanha que imita episódio de TV, com abertura, encerramento, prévia do próximo capítulo e até comerciais paródicos.

Essa escolha dá ao jogo um charme muito particular, porque a narrativa é simples, quase folhetinesca, mas funciona exatamente por isso. O ano é 197X, a humanidade está acuada e a salvação vem de um super robô criado às escondidas por um cientista genial, num enredo que conversa diretamente com a tradição de séries de mecha e tokusatsu.
O que diferencia essa versão é o modo como ela trata o material original, pois a remasterização não se limita a subir resolução, com animações redigitalizadas a partir das fitas originais, trazendo mais de 8 mil quadros restaurados e reconstruídos para recuperar o ritmo de 24 fps da obra, e o que dá ao jogo uma fluidez muito mais convincente.

Também há um esforço claro de preservar o clima de transmissão de TV japonesa da época, algo que vai além da estética e entra no próprio formato de apresentação. Esse cuidado é o que faz Geppy-X parecer menos um produto nostálgico genérico e mais uma restauração cultural, algo raro até entre remasterizações de clássicos cult.
Um shmup com identidade
Como jogo, Geppy-X segue a linhagem dos shmups de progressão lateral, mas não se contenta com o básico de atirar em tudo que se move. Há fases horizontais e verticais, possibilidade de disparar para trás e troca livre entre três unidades diferentes, cada uma com arma principal, arma secundária e estilo de combate próprios.

A Unidade X1 é mais versátil e voltada ao controle de tela, enquanto a X2 aposta em disparos penetrantes e apoio contra ameaças de outras faixas, e a X3 é a opção mais agressiva, com dano alto e alcance curto, premiando quem joga de forma mais arriscada. Essa variedade ajuda a manter a campanha viva e dá ao jogador um senso de adaptação constante, algo essencial para um bom shoot ’em up.
Geppy-X também traz novidades de qualidade de vida que são, talvez, o maior presente dessa versão para quem quer realmente jogar e não apenas admirar a obra. Rewind, salvamento rápido, carregamento instantâneo e o novo botão de disparo contínuo tornam a experiência bem mais confortável sem desmontar o desafio clássico do gênero.

Outro acerto é permitir que a transformação entre as unidades funcione como momento de invulnerabilidade, o que abre espaço para manobras mais técnicas e até para pequenas “fugas” em meio ao caos da tela. É o tipo de ajuste que prova que respeito ao original não precisa significar rigidez de design.
O charme retrô
Visualmente, Geppy-X continua impressionante justamente porque abraça sua origem analógica sem esconder as marcas do tempo. A restauração das animações mantém a textura do desenho à mão, e os cenários alternam cidades em ruínas, áreas aquáticas, vulcões e batalhas espaciais com aquele exagero muito típico de animes de robô gigante.

O modo CRT é outro destaque importante, porque reforça a proposta de revisitar o passado sem cair em caricatura. As opções de scanlines, curvatura de tela e papéis de parede laterais mostram que a remasterização foi pensada para quem gosta da experiência de tela de tubo, mas também para quem quer uma apresentação mais limpa no monitor moderno.
A trilha sonora conseguiu um feito único ao reunir nomes como Isao Sasaki, Akira Kushida e Hironobu Kageyama, colocando o jogo num patamar de homenagem musical que poucos títulos conseguem alcançar, e isso ajuda muito a vender a fantasia de estar diante de um anime clássico perdido no tempo.

Mais do que acompanhar a ação, a música amplia a sensação de espetáculo, como se cada fase fosse mesmo um episódio grandioso de uma série semanal. É um daqueles casos em que a trilha não só complementa o jogo, mas ajuda a definir sua identidade inteira.
70s-style Robot Anime Geppy-X é uma remasterização que sabe exatamente o que quer ser, funcionando perfeitamente como uma carta de amor aos mechas dos anos 70, um shmup competente e uma restauração feita com cuidado visível em cada detalhe. Ele brilha na apresentação, entrega boa variedade de gameplay e ainda oferece um pacote generoso de conteúdo, com finais múltiplos, fases extras e modos adicionais.

A principal crítica fica pela ausência de localização em português do Brasil, que pesa bastante num jogo com tanta ênfase narrativa e muito texto em tela. Ainda assim, para quem curte um bom shmup, animação japonesa clássica e o espírito de super robô na veia, Geppy-X é daquelas ressurreições que fazem sentido do começo ao fim.
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Nota final: 4.5/5
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