Sociedade Web

Trump abandona 66 organizações ambientais enquanto o planeta queima e seus fãs aplaudem

Donald Trump resolveu, mais uma vez, transformar a crise ambiental em piada de mau gosto. O ex-presidente anunciou a intenção de retirar os Estados Unidos de 66 organizações internacionais dedicadas à proteção do meio ambiente, como se aquecimento global, colapso climático e destruição de ecossistemas fossem apenas detalhes inconvenientes no caminho do “progresso”. O discurso é o de sempre: essas instituições seriam caras, inúteis e um entrave para a economia americana, ainda que os custos reais da crise climática sejam infinitamente maiores e já estejam batendo à porta.

A decisão afeta entidades que atuam diretamente no combate às mudanças climáticas, na preservação da biodiversidade e na construção de soluções globais para problemas que, vale lembrar, não respeitam fronteiras nem slogans nacionalistas. Para Trump, no entanto, a cooperação internacional parece ser uma ameaça maior do que secas históricas, enchentes devastadoras ou ondas de calor recordes. Na lógica trumpista, sair desses fóruns não é irresponsabilidade, é “independência”.

Especialistas, cientistas e qualquer pessoa com dois neurônios funcionando veem o movimento como um retrocesso perigoso. Em um momento em que o mundo enfrenta eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, abandonar organizações que tentam minimizar os danos soa como negar que a casa está pegando fogo porque admitir o incêndio exigiria alguma ação concreta. Trump prefere fingir que nada está acontecendo, desde que isso agrade sua base eleitoral e alguns setores econômicos específicos.

Falando em base, o entusiasmo de seus fãs chega a ser constrangedor. Eles comemoram a decisão como se fosse um grande ato de coragem, ignorando completamente dados científicos, relatórios internacionais e a realidade visível do clima fora da bolha ideológica. Para esse público, parece mais fácil acreditar que dezenas de organizações, milhares de pesquisadores e anos de estudos estão errados do que admitir que seu líder simplesmente não liga para o futuro do planeta.

E há ainda a ironia máxima: Trump demonstra zero senso ambiental, mas também não se arrisca a encarar o sol de verdade. Enquanto despreza alertas sobre o aquecimento global, prefere recorrer ao famoso jet bronze para manter a aparência (de cenoura), evitando justamente a exposição solar que ele parece achar inofensiva quando o assunto é o planeta inteiro. O meio ambiente pode queimar, mas a pele dele, não.

Além do impacto prático, a decisão reforça o isolamento dos Estados Unidos em debates globais fundamentais. Ao se afastar de iniciativas coletivas, o país passa a mensagem de que proteger interesses imediatos de grandes corporações é mais importante do que assumir qualquer responsabilidade ambiental. É uma escolha que rende aplausos fáceis, memes e discursos inflamados, mas que cobra um preço alto no médio e longo prazo.

No fim das contas, a possível saída dos EUA dessas 66 organizações é mais do que uma decisão política. É o retrato de uma postura inconsequente, marcada pela negação da ciência e pela celebração da ignorância como virtude. Trump e seus seguidores podem até aplaudir, mas o planeta segue aquecendo, completamente indiferente a bravatas, teorias conspiratórias e ao curioso paradoxo de quem ignora o sol quando convém, mas finge que ele não existe quando o assunto é o futuro da Terra.

Leia mais!

Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

Pin