Em meio ao avanço da inteligência artificial na indústria criativa, a Hasbro decidiu deixar um recado claro para os fãs de Magic: The Gathering e Dungeons & Dragons. A empresa afirma que não utiliza ferramentas de IA generativa na criação desses dois universos, considerados alguns dos pilares mais importantes do seu portfólio.
A declaração veio do próprio CEO da Hasbro, Chris Cocks, durante uma entrevista ao podcast Decoder, do The Verge. Ao falar sobre como a IA já faz parte do fluxo de trabalho da companhia em outras áreas, ele deixou claro que esse não é o caso das marcas ligadas à Wizards of the Coast. Segundo Cocks, simplesmente não há espaço para esse tipo de tecnologia nesses projetos.
O executivo explicou que a resistência não vem apenas da empresa, mas principalmente do público e dos próprios criadores. Para ele, Magic e D&D dependem de ideias humanas, sensibilidade artística e construção cuidadosa de mundos. “Há marcas em que o público e os criadores simplesmente não querem IA”, afirmou, destacando que essas franquias nem sequer entram nos pipelines de IA da Hasbro.

Cocks também classificou o uso de IA no processo criativo como algo que pode facilmente virar “garbage in, garbage out”, uma forma de dizer que resultados pobres surgem quando se substitui a criatividade humana por automação. Na visão dele, são as pessoas que inspiram boas ideias e as levam até o fim, especialmente em universos narrativos tão complexos quanto os de Magic e D&D.
A fala chega em um momento sensível. Nos últimos anos, Wizards of the Coast já enfrentou críticas por imagens alteradas por IA em materiais de Dungeons & Dragons e por polêmicas envolvendo artes de Magic. Desde então, a empresa proibiu oficialmente o uso de arte gerada por IA em seus produtos, tentando reconstruir a confiança da comunidade.
Mesmo sendo um entusiasta da tecnologia em projetos pessoais, o CEO reconhece que o limite é claro quando se trata de produtos oficiais. Ele próprio admite usar IA em campanhas privadas de D&D como mestre de jogo, mas faz questão de separar esse uso informal do desenvolvimento comercial das franquias.
Para muitos jogadores, a garantia soa como um alívio. Termos como “AI slop” têm se tornado comuns nas redes, refletindo o medo de que a automação comprometa a identidade artística dos jogos. Ao reafirmar que Magic: The Gathering e Dungeons & Dragons continuam nas mãos de artistas humanos, a Hasbro sinaliza que, pelo menos por enquanto, a tradição e a autoria seguem sendo prioridade.
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